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O primeiro fazer jornalístico II

  • Foto do escritor: Liga Experimental
    Liga Experimental
  • 19 de out. de 2012
  • 2 min de leitura

Continuamos com a série de matérias sobre Direitos Humanos e Comunicação, produto da oficina de Linguagem Jornalística ministrada aos calouros de 2012.2. Hoje, apresentamos a matéria produzida pelos alunos Messias Borges, Letícia Alves e Daniel Macêdo, com o tema Direitos da Criança e do Adolescente que também são abordadas no projeto Ver Pra Crer.

Crianças e o acesso à internet

Segundo a União Internacional das Telecomunicações -UIT-, a Internet é utilizada por mais de 2 bilhões de pessoas no mundo. A ferramenta não para de receber novos usuários, atraídos pela popularidade e pela abrangência de possibilidades do mundo virtual. Um dos grupos mais influentes nesse crescimento, ultimamente, são as crianças.

À procura principalmente de diversão, elas estão substituindo, aos poucos, as brincadeiras tradicionais por jogos digitais. Raul (8) é um exemplo dessa tendência. Cinco anos atrás, ele começou a acessar a Internet com o exclusivo intuito de jogar, preferência do garoto até hoje.

Em casos assim, geralmente os pais têm dificuldade para discernir o impacto do mundo virtual nos filhos. É justamente o que acontece com Rosana Melo, mãe de Raul. “Ele foi pra Internet antes de aprender a ler, apesar de que isso era feito em casa, a gente fazia a assimilação das letras. É tanto que ele só conseguiu acessar a internet porque, no fundo, já conhecia as letras. Eu diria que a internet impulsionou, fez essa vontade dele crescer” – diz ela sobre a importância da inclusão digital no aprendizado do filho. Entretanto, para ela, a instantaneidade do portal, ao qual ele se acostumou, inibe seu interesse por textos maiores, por exemplo.

A dinamicidade da geração na qual Raul cresceu o tornou mais maduro que a maioria das crianças da sua idade. “É como se a adolescência fosse antecipada. O Raul, hoje, tem condições de discutir com a Lia (sua irmã). Mesmo com uma diferença de 11 anos, ele consegue. Ele entende uma novela, ele entende situações bem ruins, bem pesadas” – afirma a mãe. Rosana demonstra preocupação pela antecipação das informações, conhecimentos, maturidades e interesses que a Internet pode permitir, e seus riscos, como o incentivo ao consumismo. Tal estímulo pode ser percebido pelo pedido de Dia das Crianças de Raul, um tablet.

Diante das inúmeras possibilidades que a Internet proporciona, Rosana reconhece que, ao passar dos anos, começou a aparecer também a dificuldade de controlar o acesso e evitar a visitação de sites não direcionados à crianças: “A gente policia do jeito que pode, mas a gente também cede, não fica em casa direto, e ele já estava entrando em coisas que realmente não são pra idade dele”. Perguntado sobre o que mais gosta de fazer no portal hoje, Raul responde: “Eu entro nas redes sociais, converso com meus amigos e ainda jogo no Facebook”.

Raul, como a maioria das crianças, é usuário de rede social. A opinião da mãe sobre a interação nas redes sociais é clara: “Às vezes, esse mundo virtual tira o contato físico, o contato direto entre as crianças. Eu não gosto do Raul conversando com os amigos dele nas redes sociais porque sai besteira, muita besteira. Talvez, se estivessem cara a cara, não sairia, pois teriam a cautela de falar. Eu prefiro esse contato entre as pessoas, porque senão, eu acho que as pessoas vão se desumanizar”.

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